Olá, Reader
Atualmente estou acompanhando uma empreendedora especificamente no desafio de liderar o próprio negócio.
Então, ao invés de olhar para a comunicação, o marketing e as estruturas do negócio, ela pediu ajuda para se reconhecer e se posicionar como a empreendedora que esta à frente de um negócio que já tem bons resultados.
O pedido dela foi focar na clareza do seu papel como dona do negócio, no apoio para tomada de decisão, na priorização de ações e no suporte para não se perder em excesso de ideias, urgências e demandas.
Aceitei o desafio porque sei que esta é uma grande dificuldade no empreendedorismo solo: fazer a gestão de si mesmo sem chefe, sem colegas para debater, tendo que tomar decisões grandes e pequenas, com pressão por performance e produtividade e infinitas crenças e sabotadores minando a mente a cada minuto.
É um trabalho que só quem vive sabe!
O processo está sendo incrível porque estou tendo a oportunidade de pensar e nomear coisas que já enxergo mas que nunca investiguei com mais profundidade.
Uma delas inclusive, foi observar tanto o lugar que ocupamos, quanto as funções que esse lugar pede/espera de nós. Esbarrei mais uma vez na falta de vocabulário para explicar o que vivemos como empreendedores solo. Não há uma palavra que define com clareza nosso lugar de atuação.
Somos mais que CEOs, donos de negócio ou empresários.
Donos, empresários e CEOs tem como principal responsabilidade a direção, a tomada de decisões macro e manter o desempenho geral do negócio.
O empreendedor solo faz isso. Mas também cuida de várias outras camadas como a execução, a entrega, a definição e criação de processos internos e externos que sustentam todos esses fazeres.
Comecei a mapear esse lugar e entendi que estamos imersas em três camadas de atuação:
- Camada da Execução: é a camada do fazer tarefas concretas. Nela estão as entregas, os atendimentos, os conteúdos, as tarefas operacionais e tudo aquilo que coloca o negócio em movimento no dia a dia.
- Camada da Gestão: é a camada da organização do funcionamento. Nela entram prioridades, processos, rotina, acompanhamento, decisões práticas e a sustentação para que o negócio não dependa apenas de memória, urgência ou improviso.
- Camada da Direção: é a camada das escolhas maiores. Nela estão a visão de futuro, o posicionamento, os critérios de decisão, os limites, o modelo de negócio e a clareza sobre que tipo de negócio estamos construindo.
Elas não acontecem em sequência, mas vão se enroscando e se sobrepondo dentro do mesmo dia, às vezes até dentro da mesma hora.
Responder um e-mail é execução. Decidir aceitar ou recusar um convite ou projeto é direção. Revisar sua agenda da semana é gestão.
O problema não é transitar entre elas. É fazer a transição de uma para a outra sem perceber.
Digo que é um problema porque sem essa percepção, carregamos o peso das três camadas ao mesmo tempo, tudo junto e misturado, sem hierarquia.
E aí aparece o sabotador mais comum do empreendedorismo solo: a sensação de estar sempre ocupado e nunca satisfeito, porque a execução consome o tempo que deveria ser da direção, e a direção acaba reduzida a decisões tomadas correndo, entre uma tarefa e outra.
Se eu tivesse que usar uma distribuição de tempo apenas como referência para perceber o desequilíbrio, pensaria em algo que abrisse mais espaço para a direção e para a gestão, sem deixar a execução tomar conta de tudo.
Porque, na prática, o que mais vejo acontecer é a execução ocupar a maior parte do tempo, a gestão ficar espremida no meio e a direção aparecer só em pequenos intervalos.
Ou pior ainda: a execução tomar quase tudo, a direção virar uma preocupação constante e a gestão desaparecer, porque ninguém sente falta dela até o negócio começar a rodar meio manco, na base do improviso.
Este processo me mostrou que uma parte importante do meu trabalho é apoiar empreendedores a ocupar com mais clareza o lugar de quem lidera o próprio negócio.
Confesso que ainda estou dando nome a muitas dessas ideias.
Mas, quanto mais acompanho meus clientes, mais percebo que boa parte dos seus desafios está na dificuldade de alternar conscientemente entre executar, gerir e dirigir o próprio negócio.
Acredito que este assunto é muito maior do que parece e que ainda faltam palavras para explicar uma parte importante do empreendedorismo solo.
Mas fiquei curiosa: Esse assunto e essa reflexão fez sentido para você?
Se sim, me responda este e-mail.
Quero saber se vale a pena continuar investigando esse tema por aqui.
Um abraço
Ana Paula Fragoso
Estruturo negócios autorais com clareza, presença e autonomia digital.
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