Olá, Reader
Uma observação do mercado que sempre me intrigou é como o marketing virou uma segunda profissão que ninguém escolheu.
Um profissional autônomo em qualquer área de atuação que termina seu dia de trabalho, sente que “faltou alguma coisa”: publicar. Pode ser um dentista, uma arquiteta, uma consultora, um professor, uma advogada. O trabalho real foi feito e entregue, mas o simples fato de não ter sido divulgado e mostrado em alguma rede faz com que ele pareça incompleto.
Este é um comportamento curioso, mas facilmente explicado pelos anos de condicionamento e convencimento dos grandes players do mercado. Comunicar nosso trabalho deixou de ser uma atividade complementar e virou uma segunda profissão.
Começamos a acreditar que atender clientes, estudar, nos especializar, pesquisar e resolver problemas não era mais suficiente. Agora é preciso também escrever, gravar, editar, publicar, responder comentários e separar o trabalho em dois: o trabalho em si e, depois, o marketing do que foi feito.
Me pergunto: o que se perde quando todo profissional especializado precisa também se tornar um creator?
Uma grande perda que já se sente é o tempo para aprofundamento.
Esse tempo que antes era usado para ler, estudar, observar, desenvolver uma ideia ou simplesmente fazer melhor o próprio trabalho agora é usado para a gestão da presença digital. E dá-lhe post!
Estamos perdendo também a capacidade de viver experiências que não precisam virar conteúdo. Viagens, jantares, encontros… sentimos que o que não é mostrado para muita gente não aconteceu.
Outra perda terrível foi a habilidade de perceber se estamos diante de um bom profissional ou de um bom creator. Já vi muita gente comprar de quem sabe comunicar muito bem o que faz, mas não sabe entregar tão bem quanto.
Ao mesmo tempo, existe um ganho importante nessa mudança: a autonomia.
Hoje qualquer profissional pode fazer sua própria divulgação, sem depender de empresas, editoras ou agências.
Aí a reflexão muda para: quanto da nossa profissão precisa virar marketing para conseguirmos exercer a própria profissão?
Esta é uma das principais funções do Slow Marketing no mercado. É justamente preservar nossa capacidade de comunicar e ser encontrado sem transformar isso em uma segunda profissão.
Porque uma coisa é usar o marketing para sustentar o negócio. Outra é ter um negócio que depende de divulgação constante para continuar funcionando.
O Slow Marketing me brilha os olhos porque propõe olhar para o marketing como a construção de algo que permanece no tempo: um artigo encontrado meses depois de publicado, um livro que organiza anos de conhecimento ou uma ideia que continua circulando mesmo quando você não está publicando.
Esta é uma das mudanças mais importantes na nossa relação com o marketing nos dias de hoje: gastar menos energia tentando aparecer o tempo todo e mais energia construindo coisas que continuem trabalhando por nós depois.
Pense nisso: seu marketing está ajudando seu negócio a existir ou exigindo que você exista para mantê-lo?
1 abraço
Ana Paula Fragoso
Transformo seu conhecimento em estrutura, patrimônio autoral e autonomia digital.
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✍️ A Newsletter Empreenda Leve é onde desenvolvo ideias sobre negócios autorais, Slow Marketing e empreendedorismo solo. Um espaço para compreender melhor o negócio que você está construindo, organizar decisões e avançar com mais clareza, estrutura e autonomia.
Uma pausa na sua semana, não para interromper o trabalho, mas para enxergá-lo melhor.
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