Olá, Reader
Não sei você, mas, na minha bolha, estamos extremamente monotemáticos. Só se fala de inteligência artificial…🙄
E, junto com o assunto, vem a briga entre quem usa para tudo e quem questiona como ela é usada no nosso trabalho e na nossa vida.
E eu confesso que esta discussão já começou a me cansar.
Percebo que estamos transformando uma decisão pessoal em uma coisa que todo mundo está autorizado a julgar e opinar.
É a galera do “Se você não usar, vai ficar para trás hein” que briga com a galera do “Se você usa demais, vai desaprender a pensar”. Se você automatiza uma tarefa, está sendo inteligente. Se automatiza outra, está terceirizando algo que deveria estar fazendo sozinho.
Os fiscais estão por toda parte, ativos e atuantes dos dois lados. E aí a conversa começa a ficar improdutiva.
Eu uso IA. Mas com critérios. Tenho zero intenção de convencer alguém a usar do jeito que eu uso. Então obviamente que não quero ouvir de outra pessoa o quanto eu deveria estar usando, em quais tarefas e onde deveria colocar meus limites.
Quanto mais avalio o assunto, mais entendo que usar a IA é uma decisão pessoal e intransferível que depende completamente do trabalho que você faz, do repertório que tem, do que considera importante preservar, dos recursos disponíveis, daquilo que gosta de fazer, do que gostaria de fazer menos, dos riscos que está disposto a assumir e até da maneira como quer construir sua relação com o próprio trabalho.
Como sempre, são os comportamentos extremos que vão gerar o desequilíbrio. E sempre geraram.
Só que entre esses extremos existe um lugar que é onde maioria de nós vive: no meio.
Tem dois textos sobre IA que sempre volto a ler porque falam sobre nosso momento atual de ângulos bem opostos. Recomendo a leitura dos dois e depois me conta o que achou.
Neste artigo, Tara McMullin fala do “efeito do batedor de ovos” (eggbeater effect). Ela explica como, historicamente, tecnologias criadas para economizar tempo também acabam aumentando a quantidade de trabalho (alô mulheres!). O batedor de ovos acelerou uma etapa da cozinha, mas o tempo economizado acabou sendo usado para preparar receitas mais elaboradas, que no fim exigiam mais trabalho do que antes. Ou seja, a tecnologia amplia nossa capacidade, mas nós tendemos a preencher rapidamente o espaço que ela acabou de liberar.
Do outro lado, Katie Parrott, neste artigo, questiona a associação entre esforço e valor. Ela mostra como tendemos a desconfiar de um trabalho quando ele se torna mais fácil, como se facilidade fosse sinônimo de trapaça ou de menor mérito. A pergunta que ela levanta é simples: por que uma tarefa deveria valer menos porque uma tecnologia tornou sua execução mais rápida?
Percebe? Para mim as duas perspectivas são válidas porque uma mesma tecnologia pode gerar resultados diferentes dependendo de como ela entra na nossa vida e no nosso trabalho. Olhar para essa ambiguidade é muito mais interessante do que tentar decidir se a tecnologia é, em si, boa ou ruim.
Neste momento vejo o grande esforço que estamos fazendo para chegar a uma conclusão geral e acatada por todos sobre uma ferramenta ser boa ou ruim antes mesmo de se perguntar quem está usando, para quê e em quais condições. E essas diferenças importam muito.
No Brasil, a IA já entrou no cotidiano de muitas pessoas, mas o uso está longe de ser igual para todo mundo. Tem as diferenças de acesso, de repertório, profissão, recursos e até de interesse.
Por isso é estranho imaginar que, diante de realidades tão diferentes, deveria existir uma única forma correta de usar.
O que precisamos entender é a nossa própria forma de usar a IA.
É nesse ponto que a palavra critério começa a ficar importante: olhar para o trabalho que fazemos, para aquilo que consideramos importante manter, para o que a ferramenta realmente resolve e também para quando ela começa a atrapalhar.
Também tentar entender de onde vêm tanto a resistência quanto o entusiasmo. Às vezes temos uma razão muito concreta para usar e, em outras, pode ser só uma reação à pressão do mercado e de colegas.
Neste sábado, passei o dia no AI Festival Women, ouvindo mulheres falando sobre inteligência artificial, tecnologia, negócios, trabalho e futuro. Voltei com a sensação de a conversa precisa acontecer e ser ampliada. Temos que debater por que aprender novas tecnologias, discutir os impactos e questionar os modelos e os interesses envolvidos, sem transformá-las em regras de como todo mundo deveria trabalhar.
E já que estamos falando sobre escolhas quero te lembrar da conversa ao vivo que teremos na próxima semana.
No dia 07/10, vou falar sobre O que merece entrar no seu negócio?
Vou abrir este espaço para olhar para as possibilidades, caminhos e obrigações que chegam até nós e pensar com quais critérios precisamos decidir o que entra e o que fica de fora.
A participação é gratuita.
Se esse é um assunto que também está ocupando sua cabeça, vou adorar ter você por lá.
Para se inscrever é só clicar aqui
Te espero lá!
Ana Paula Fragoso
Estratégias para negócios autorais e empreendedorismo solo
✍️ A Newsletter Empreenda Leve é onde desenvolvo ideias sobre negócios autorais, Slow Marketing e empreendedorismo solo. Um espaço para compreender melhor o negócio que você está construindo, organizar decisões e avançar com mais clareza, estrutura e autonomia.
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