Olá Reader
Esses dias li um artigo: What Business Model Are You Running? ou tradução livre "Qual modelo de negócio você tem?"
E, para a surpresa de zero pessoas que têm um negócio autoral, era mais um texto listando modelos de negócio com o objetivo de “ajudar” você a se encaixar em algum deles.
Mais uma vez me senti pouco representada e percebi o quanto ainda faltam referências para negócios autorais de uma pessoa só.
Pensei: está aí mais uma oportunidade de criar algo que ajude outras empreendedoras solo a entender como funciona o negócio autoral.
No artigo, a autora classifica os modelos de negócio mais comuns no mercado e conclui que os modelos híbridos, que misturam diferentes formatos, tendem a ser mais complexos.
Fiquei com a impressão de que ela via essa complexidade como um problema.
Eu concordo que é complexo, mas quando você tem um negócio autoral, ser híbrido é quase sempre o caminho natural e combinar formatos é o próprio modelo de negócio.
O negócio autoral nasce da soma de tudo o que sabemos e queremos compartilhar, por isso é natural que se manifeste de várias formas ao mesmo tempo.
Mas ele não tem vários modelos dentro de si. Ele tem funções.
Acompanhe comigo:
Função 1. Orientar pessoas
É quando o negócio atua diretamente na transformação do outro, oferecendo direção, análise e clareza.
Exemplos: mentorias, consultorias, sessões estratégicas, diagnósticos.
Função 2. Ensinar pessoas
É quando o conhecimento se transforma em método e passa a ser transmitido de forma estruturada.
Exemplos: cursos, oficinas, programas formativos, aulas, palestras.
Função 3. Comunicar para as pessoas
É a função que constrói presença e autoridade, traduzindo o pensamento em conteúdo, conversa e expressão pública.
Exemplos: palestras, newsletters, podcasts, artigos, vídeos, posts, entrevistas.
Função 4. Conectar pessoas
É o papel de criar vínculos, reunir pessoas em torno de ideias e sustentar relações de confiança.
Exemplos: comunidades, eventos, grupos de ex-alunos, espaços de troca e retiros.
Função 5. Fazer para as pessoas
Entrega algo tangível, aplicando o próprio conhecimento em favor do cliente.
Exemplos: design, redação, ghostwriting, identidade visual, desenvolvimento de site, revisão de textos ou materiais.
Chamei de funções, e não de modelos ou formatos, porque o negócio autoral é em si um modelo vivo, que cumpre diferentes papéis no mercado.
O nosso desafio então se torna organizar e definir quanto de cada função queremos e precisamos oferecer para as pessoas. Quanto do nosso trabalho é orientar, quanto é ensinar, quanto é conectar… e é comum cair na armadilha de achar que precisamos ter só uma função ou que precisamos entregar todas as funções ao mesmo tempo, com a mesma intensidade.
Mas na minha experiência, vejo que todo negócio autoral tem uma função dominante, que é o centro, a base, o lugar de onde tudo nasce. E que as demais funções são o suporte dessa função principal.
No meu caso, por exemplo, eu sei que sou mentora antes de qualquer coisa. Meu “core” é orientar. As demais funções, como os cursos que criei e as aulas abertas que dou, são desdobramentos da minha mentoria, e não um modelo de negócio separado.
O mesmo acontece com a newsletter, o podcast e os conteúdos. Todos servem para sustentar e aprofundar esse mesmo eixo: o de orientar pessoas.
Trouxe tudo isso para te ajudar a enxergar que é a função central do seu negócio que traz clareza ao modelo autoral.
Negócios autorais são, por natureza, híbridos, vivos, sistêmicos e em movimento constante.
Se o seu também é assim, você não está perdida nem sozinha. Seu negócio é único e potente, exatamente do jeito que precisa ser.
Se essa reflexão fez sentido e você precisa de suporte para definir as funções do seu negócio, podemos trabalhar isso juntas na mentoria. É só agendar seu bate papo aqui!
Um abraço
Ana Fragoso