Olá Reader
Este final de semana eu tive a honra de dar uma palestra em um evento cheio de mulheres pesquisadoras, sociólogas, antropólogas e profissionais em cargos de liderança, encabeçando projetos de pesquisa de comportamento e afins.
Fui a convite da minha querida cliente Carmencita Job, que é cientista social e antropóloga, especialista em Research & Business, fundadora da [Ox]igênio e do Podcast Desbravadoras.
No evento, tive a oportunidade de falar sobre meu objeto de pesquisa atual: como a crise de confiança global está moldando nosso comportamento e o que nós, como empreendedoras solo e donas de negócios autorais, precisamos fazer para lidar com isso.
Defender essa tese tão profunda em um talk de 15 minutos já foi, em si, um grande desafio. E, pelos feedbacks imediatos, a entrega cumpriu o que precisava cumprir.
Mas, nesta news, eu quero falar sobre o que percebi em mim depois de defender essa tese em público.
Antes, durante e mesmo depois da palestra, minha mente fez o que ela está acostumadíssima a fazer sempre que eu entro em ambientes mais exigentes: questionou se eu tinha preparo suficiente, se aquele era mesmo o meu lugar e se eu estava “à altura” para fazer essa entrega.
E, mesmo sabendo que esse tipo de pensamento não é novo, o que chamou minha atenção foi perceber como ele conversa com o momento que estamos vivendo.
Esses questionamentos não aparecem quando estou atuando no dia a dia, mas vira e mexe estão ali quando estou fazendo algo relevante, público e exposto.
E sempre que isso acontece, me lembro do meu mentor Tad Hargrave, que diz: “Só o fato de você se preocupar em ‘estar à altura’ já te coloca na altura certa para fazer o que você deseja fazer.”
E tenho a sensação de que isso não acontece só comigo.
Vejo esse mesmo movimento em clientes e colegas empreendedoras — competentes, preparadas, com trajetórias sólidas — que, ainda assim, se questionam quando ocupam espaços maiores e mais visíveis.
Mas quando existe uma crise de confiança acentuada no mercado, como agora, o mundo começa a exigir cada vez mais provas da nossa competência. Mais justificativas, mais credenciais, mais explicações para decisões que antes eram simples.
E quem já tem uma tendência a se questionar, percebe essa mudança porque reconhece o mecanismo.
O problema é que as exigências para se provar não ficam só do lado de fora da gente. Elas vão se internalizando até que, de repente, começamos a acreditar que o problema somos nós quando, na verdade, estamos reagindo ao contexto.
Na palestra, eu falei sobre como a desconfiança crescente do mercado está moldando nosso comportamento de consumo.
O que eu não falei — e só percebi depois da minha própria experiência — é que essa mesma crise também está moldando a nossa mente, nossas decisões e a forma como acessamos a nossa criatividade e autenticidade.
Em um ambiente que pede prova constante, fica mais difícil confiar no próprio ritmo, nas próprias escolhas e até naquilo que já sabemos fazer bem.
A criatividade e a autenticidade se limitam por causa do excesso de cobrança. Não por uma falta de capacidade nossa, mas porque criar sob vigilância constante faz com que até ideias maduras e bem articuladas pareçam frágeis.
Esse é um dos pontos que trabalho com empreendedoras solo: a confiança em si mesma.
Se esse tema também te atravessa, saiba que podemos aprofundar essas reflexões juntas e co-criar caminhos possíveis por aqui.
Um abraço.
Ana Fragoso
Estrategista de negócios autorais e autonomia digital fora das redes
Ps: Se neste momento você está em busca de um espaço de orientação para organizar suas decisões e estruturar seu negócio autoral com mais autonomia, eu faço esse trabalho na Mentoria para Negócios Autorais. Saiba mais aqui